Séries que passaram do prazo de validade

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CONTÉM SPOILERS
A maioria das pessoas que assiste um número considerável de séries de televisão, tem em sua lista ao menos uma série que tem mais temporadas e episódios do que a própria trama permite. Quase sempre essas séries que se estendem indefinidamente o fazem por dinheiro, e talvez por falta de criatividade e comodidade de explorar algo que já deu certo, e não por decisões criativas ou inclusões planejadas e bem pensadas na história. Isso leva a extensão de narrativas que não são desenvolvidas e sim arrastadas e não acrescentam em nada para a série.

Como exemplos disso – até porque o mundo da televisão estadunidense está cheio de produções com o mesmo problema –, se pode citar três séries que já possuem um público consolidado e são grandes atrações de suas emissoras: Supernatural, Pretty Little Liars e The Vampire Diaries, icônicas produções que não sabem a hora de parar.

Um dos maiores exemplos dessa prática é a série Supernatural. Atualmente em sua décima segunda temporada, sendo que sua trama se esgotou e poderia, de forma incrivelmente satisfatória, ter encerrado no final da quinta temporada. A partir desse momento qualquer um que é ou era um entusiasta das caçadas a seres sobrenaturais de Dean (Jensen Ackles) e Sam Winchester (Jared Padalecki) pode atestar que desse ponto em diante a série passou a seguir uma fórmula básica para todas as temporadas.


Utilizando de subterfúgios ridículos e com “vilões”, criaturas e plots que nem de longe podem ser considerados como aterrorizantes, complexos ou ainda verossímil dentro das próprias mitologias e arcos que Supernatural já explorou, ano após ano a série continua. Acrescentando personagens interessantes aqui e ali, ainda consegue manter a atenção de seu público, mas a realidade é que seus dois protagonistas, os irmãos Winchester, já foram explorados ao máximo, assim como a história.

E quem assiste não precisa se perguntar muito em que caminho a história está trilhando: é fato conhecido que em algum momento Dean ou Sam vai cometer algum erro que trará consequências terríveis para o mundo e vai fazer com que eles se separem e durante boa parte da outra temporada vai ser gasto no repetitivo, sem graça e sem imaginação “eu vou salvar o meu irmão/onde ele está” e blá, blá, blá.

Outra produção que parece não ter medo de se repetir e utilizar sempre os mesmos artifícios narrativos é Pretty Little Liars. A história do desaparecimento de Alison (Sasha Pieterse) e a vida de suas quatro amigas, Aria (Lucy Hale), Spencer (Troian Bellisario), Hanna (Ashley Benson) e Emily (Shay Mitchell), após esse evento está em sua sétima temporada e vai até a oitava. Uma série exemplar no que diz respeito a “histórias que já deram o que tinha que dá, mas os produtores continuam porque só se importam com o lucro”.


Em PLL as coisas talvez sejam ainda piores porque não só os plots são repetidos, como todos os erros e enganos que as personagens cometeram nas primeiras temporadas são repetidos todas as vezes. É como se nenhuma das meninas tivessem aprendido nada com as situações já exploradas na série. Não é apenas irritante, mas também uma prova de que não há mais o que ser dito com esses personagens ou história.

Isso também pode ser atestado com o fato de que a série literária de mesmo nome que inspirou essa produção de televisão já acabou, a sua revelação de quem era A, o personagem que atormentava a vida das quatro meninas, já ocorreu na série e mesmo assim ela continua. Nada contra uma adaptação utilizar sua licença criativa, mas se for fazer isso pelo menos faça de forma decente, sem distorção de personagens e histórias e motivos absurdos e difíceis de se engolir mesmo dentro do universo de Pretty Little Liars.


E dentro do universo de séries teen, o romance da humana Elena (Nina Dobrev) dividida entre os irmãos vampiros Stefan (Paul Wesley) e Damon Salvatore (Ian Somerhalder), também é uma que já atingiu seu prazo de validade. E nem precisa amar ou odiar The Vampire Diaries para admitir esse fato; quando a atriz que interpreta a protagonista decidiu deixar a série no final da sexta temporada foi uma dica para todos. Mas mesmo assim os produtores decidiram que a série podia continuar e até ser encerrada agora em 2017 em sua oitava temporada (não precisava disso tudo).


E como Supernatural e PLL, TVD passa a distorcer traços característicos da história e dos personagens e a reutilizar plots, dilemas e situações já esgotadas. Além disso, também não se preocupa com um roteiro devidamente atraente ou complexo, colocando como foco personagens e situações que não fazem a mínima diferença ou impacto no contexto geral da história.

Essas três séries parecem não ter muito respeito com seus fãs: para que estragar uma história e personagens que já foram tão queridos com narrativas, episódios e temporadas tão vazias de conteúdo e significado? O lucro e as aparentes faltas de criatividade e coragem para tentar algo novo, pelo menos de alguns setores do entretenimento, apresenta ao telespectador produções entediantes e cansativas.


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