Perdida - Carina Rissi

18:34

Editora: Verus
Nº de páginas: 364
Sinopse: Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam. Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa - ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo - e lindo - Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pistas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos...




Perdida - Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo é o primeiro romance da autora brasileira Carina Rissi. Ele conta a história de Sofia, uma garota de 24 anos que é um tanto cínica demais para a idade se encontra de repente no século XIX sem qualquer modernidade, sem seus aparelhos tecnológicos e sem seus amigos e só pode contar com o prestativo e gentil, Ian Clarke, que a achou na rua.

Sofia tem um emprego que não gosta nem um pouco, mas que pelo menos paga suas contas, não possui mais família  e seus amigos mais próximos são Nina e seu namorado, Rafael. Além de ser um tanto cínica em relação aos sentimentos, ela também é uma viciada completa em tecnologia e não está vendo muito sentido em sua vida. Mas com certeza isso ainda era melhor do que se encontrar no ano de 1830 com um celular misterioso em mãos e tendo que encontrar algo ou alguém que ela nem mesmo sabe o que é.

Eu estava mesmo em 1830, no século dezenove, na casa de um cara estranhamente gentil, sem nada que pudesse me ajudar a voltar para minha casa. Nada exceto a conversa ao telefone com a vendedora.

Esse livro segue o modelo de narrativa que a autora Carina Rissi apresenta aos seus leitores em seus outros chick lits, como a protagonista atrapalhada e que sempre acaba se metendo em confusões, uma dose de drama e  o mesmo em relação ao romance (e ao mocinho dos sonhos, também), mas ele também proporciona elementos novos, como a viagem no tempo. E embora essas características sejam agradáveis em uma leitura como essa, o fato de não haver grandes novidades nessa história acaba fazendo com que a leitura não seja tão aproveitável.

 Eu já havia desejado um homem, sabia como era a sensação. Já até tinha satisfeito esses mesmos desejos, mas sempre no controle, sempre consciente do que fazia. O que eu sentia agora era totalmente diferente. Muito diferente. Era como se cada célula do meu ser quisesse se grudar a Ian, como se ele fosse um ímã superpotente, usando sua força em carga máxima e eu fosse revestida de metal. Impossível escapar ou resistir.

Perdida, no entanto, continua a ser uma leitura gostosa e muito divertida. As diferenças gritantes que podem ser encontradas entre os dois tempos históricos que Sofia presenciou acaba sendo um dos elementos que mais rendem risadas durante o livro, seja pela diferença da arquitetura e da engenharia de um banheiro ou pela utilização de alface como papel higiênico. As progressivas descobertas da personagem é a forma como a qual o leitor também vai conhecendo esse novo mundo, essa nova sociedade na qual a história se passa assim como os personagens da época., como o senhor Clarke. Ian é o personagem de 1830 que mais conhecemos graças a sua relação tão próxima com a Sofia, então é fácil conhecê-lo como um jovem de 19 anos que é um verdadeiro cavalheiro, um artista, carinhoso, preocupado com a irmã e apaixonado.

Mas é nesse núcleo que mora o maior defeito que esse livro poderia ter e que me irritou imensamente durante toda a leitura. Pela lógica, Ian é um homem brasileiro do início do século XIX dono de propriedades e é até perdoável que vários traços de sua personalidade e de suas ações não sejam exatamente fiéis a época, afinal esse não é um romance  de época realmente. Entretanto, não há explicação que seja convincente o bastante para justificar o fato de não haver escravidão nessa história que a Carina criou. A desculpa da autora é que essa é uma parte que ela odeia da história e portanto não quis colocar, mas é perceptível que ela perdeu uma ótima oportunidade para fazer uma crítica a sociedade e a cultura brasileira da época, mostrar que mesmo homens "bons" estavam sujeitos aos costumes e falhas de sua época.

Como uma leitura leve e descontraída, Perdida realmente é uma ótima escolha. Com a dose certa de humor, romance e drama é fácil se envolver na leitura e apesar dos pequenos defeitos (e do grande supracitado) é um livro que vale a pena ser lido. E pela forma como terminou, resta a curiosidade de como será as continuações, que também parecem ser interessantes.


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1 comentários

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